sábado, 30 de outubro de 2010

Selva de pedra


As noites na selva de pedra e´,
sempre uma incógnita.
Os satisfeitos são unânimes em cantar
seu amor por ela, os insatisfeitos
 tornam-se ainda mais insatisfeitos.
Não importa as luzes cintilantes, das fachadas
de concreto, soma-se o barulho ensurdecedor
das buzinas, no caudaloso rio de faróis
que se forma, devido a lentidão do tráfego.
Não há como escapar ou esconder-se da energia estranha
e tentadora que paira sobre a cidade.
Cidade que quase casa com as nuvens, de tão altos que se erguem seus
arranha-céus.
Mas, mesmo assim, não posso mentir a mim mesma,
amo-te senhora, deusa das deusas, em seu puro
esplendor de um dia ensolarado,
como também nos cinzentos dias de chuva.
Todas as suas mazelas já estão impregnadas
em mim.
Defendo-te, não és culpada pelos  males dos
homens que abriga em seus arranha-céus, nem tampouco por aqueles
que sobrevivem sob suas pontes.
Não és culpada de nada.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Faço!

Faço de ti, minha melhor escultura,
és resultado do trabalho de minhas mãos febris
e de minha mente insana.

Faço de mim, um depósito de sentimentos
doídos, talhados um a um, por várias mãos
no decorrer do tempo.

Faço da vida, a alegria súbita de ser, de ter
e encontrar em mim, toda a esperança
perdida.

Faço de nós, a chama ardente de um
desejo mais amplo, da entrega sem cobranças.

Seu José

Meu padrasto!
Figura forte, um homem de quase dois metros de altura, mas que esbanjava
ternura.
José era o seu nome e ele me contou várias histórias, entre elas a de que conhecera a minha
mãe, sua segunda esposa, quando ela tinha somente três anos de idade.
Ostentava  orgulho de ter sido maquinista da antiga Companhia Paulista de Estrada de Ferro,
frisando sempre com o peito empinado - maquinista do trem de passageiros!
Minha filha, era sempre assim que eu era apresentada por ele, aos amigos e conhecidos, fato que me deixava
orgulhosa, importante e feliz.
Dele eu ganhei minha primeira bicicleta e também uma linda máquina de escrever , cor verde, marca Lorenzetti,
doces lembranças de um homem, que me propiciou conforto, carinho, amor, aconchego e sobretudo minha mãe
junto a mim.

Vó Maria

Sob o pé de jabuticaba, no quintal
da casa pequena de minha avó, desvendei o segredo da força
 do amor das minhas duas lindas avós.
Puxando uma das pernas, herança da paralisia infantil, que teve quando criança,
Vó Maria era pura ternura, com todos os seus netos, filhos de suas
filhas e filhos.
Incansável nos afazeres domésticos e no trato com seu fogão á
lenha, mimava igualmente todos os netos, oferecendo a eles, sempre uma nova iguaria.
Sempre calada, eu gostava de ficar em dos cantinhos da sua cozinha, observando e
tentando decifrar em seu rosto, quais dos sinais, teria seu filho mais velho, meu pai
que eu não conheci.
Seriam os olhos de meu pai, iguais aos olhos dela e assim eu ficava horas e horas
contemplando aquela doce senhora  chamada Maria, minha avó, naquela pequena
casa onde eu não vivia.

Delícias

Que delícia me expor, me jogar do alto e cair
no mar.
Não pensar em nada sério, jogar com as incertezas,
ser absoluta na vontade, satisfazer o meu corpo.
Que delícia, deixar o sol, me aquecer e sorrir das
indelicadezas da vida.
Eu prometo a mim mesma, dar mais importância
aos meus sonhos, pois são neles que encontro,
quase todas as minhas verdades.

Super-herói

Doce é a sensação de ter sido tua, e
eu ter tido voce.
Brincamos, rimos e choramos juntos,
voce se lembra da nossa canção
favorita ou da bebida que tomávamos juntos,
no final da tarde, celebrando a vida?
Vivemos intensamente cada minuto
da nossa coexistência, dissemos sim e
dissemos não na hora certa.
Erramos em alguns percursos, mas nossa caminhada
foi sensacional, até o dia em que voce abruptamente,
largou a minha mão e tomou uma outra direção.
Eu entendi muito tempo depois, que voce ainda ri de minhas trapalhadas,
que ainda segura minhas mãos quando perco o equilíbrio,
que ainda vela meus sonhos e torce por mim em minhas escolhas.
É assim, como o homem invisível, meu super-herói.

Os anjos disseram amém!

O dia mais lindo, foi quando nasceu um anjo,
e ele me contou, que o meu maior presente viria das mãos de Deus.
Nunca importei-me com a perfeição e,  em meus sonhos
voce já existia.
Eu sempre soube que seria feliz ao teu lado, foi por um
curto período, mas aconteceu.
Não lamento, vivemos um grande amor, os anjos foram testemunhas,
desde do primeiro instante, de nós dois.
Deixe-me contar para o mundo, fui feliz, muito
feliz.
Os anjos disseram amém!!!

Rosto


Moldei novamente teu rosto, em meus sonhos,
é sempre o mesmo rosto.

Eu moldo teu rosto em barro, 
e a cada característica trabalhada, uma lembrança de vida.

Os olhos que sorriram para mim, nas manhãs em que era meu,
a boca escancarada no sorriso,
 moldo-a fechada, mas o som das palavras ditas, ainda ouço
das horas em que ríamos juntos
de nossos sonhos loucos.

Teus olhos deixei-os semi-cerrados, 
tal qual quando voce cochilava
na poltrona da sala, e eu
lhe roubava um beijo.

Teu nariz que roçava em minha nuca,
ficou perfeito.

Agora, carrego voce para sempre,
moldado em minha alma,
roubado de minha mente.

-0-0-0-0-0-0-0-

Mil rostos estão tatuados em minha alma,
rostos de ontem e de hoje e os
que ainda nascerão em mim.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Flor


A flor solitária se esquiva
 da sombra
só quer sentir o doce cheiro de vida, no ar,
distraída, ela deixa-se conduzir pelo
som que a brisa traz.

A bela flor solitária, deixou de acreditar
que a solidão é
sua melhor amiga,

então ela se entrega a melodia,
que a envolve e
dança, flutua, sem sair do lugar.

A flor repentinamente encontra sentido em tudo e 
para tudo,
ela descobre o amor.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Brincando

Brincando de ser poeta
eu redescobri as verdades e as
inverdades da minha infância, as dores
da adolescência e as responsabilidades da fase adulta  e da
mulher madura

Alma

Minha alma inquieta, passeia em mim,
a procura daquela garota ensimesmada,
que tinha medo de tudo e de todos.
Ela tateia meu corpo pensando,
nas noites em que eu não dormia,
fingindo ser uma super-garota.
Ela me chama, sussurra em meus
ouvidos, pensando em me fazer
esquecer de todos os meus
desenganos.
Minha alma, viva, inquieta, travessa,
não percebe, que há muito deixei
de ser uma criança.

Circo ao avesso!


A platéia no picadeiro, e o palhaço
todo pampeiro nas cadeiras e
arquibancadas.

O macaco sem o seu treinador, com um
sorriso maroto, rouba a corda do
equilibrista e imita o domador.

Está tudo ao avesso...

As bailarinas, todas enfeitadas ficam
atrapalhadas, indo de um lado 
para o outro,
num tamanho alvoroço.

Os guarda-chuvas do mágico, de onde ele tiras as flores,
estão dependurados, todos sem as suas cores.

Está tudo ao avesso...

O pipoqueiro feliz, passeia com suas pipocas, 
 sentindo-se no picadeiro, um
verdadeiro aprendiz.

As crianças puxam os pais, os pais puxam as crianças, tal qual um
redemoinho, tudo sai de
seu lugar.

Um espetáculo ao avesso, só continua igualzinha
e sempre no mesmo lugar;
a alegria incontida de sermos
para sempre, crianças.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Fantasma

Tolo fantasma, que insiste
em brincar de fazer parte de mim,
bate, rebate na minha memória,
gritando, não me deixando dormir.

Triste fantasma que teima,
 em repousar no mesmo travesseiro
 sem se dar conta, que meus pesadelos
zombaram dele primeiro.

Madrugada



Este bichinho insano, que transita a noite,
nas veias de minha garganta, incomoda até, os
olhos de minha alma, no entanto, ao mesmo
tempo, ele me faz companhia, quando perdida fico em
meus muitos pensamentos.
Devaneios sim, devaneios não, me permito ser quem não sou,
e ouso sempre mais, me invento, me reinvento nas madrugadas
sem amor.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Sentido


Hei de percorrer novamente, as mil
estradas solitárias de
meu tempo.

E nas curvas, de cada uma delas, 
com certeza vou me reencontrar
e definir todas as matizes
do meu mundo

Como uma escada em caracol,  deixo-me cair para dentro
do abismo, que eu mesma
inventei,

nada torna sombrio, meu mergulho, porque o chão que me
apara, sempre foi feito de girassóis
criados ou inventados.

Não há porque haver sentido, abro os braços e 
tudo o que encontro: o dia, a vida, tudo é
lindo.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Janelas em minha vida


Que voce possa entender
que  olhar pela janela, não me faz distante, das coisas ou pessoas que estão
ao meu redor.

Através da janela faço viagens curtas ou longas,
 depende da vontade  e da força de meu espírito
para ir e vir.

Há um outro mundo do outro lado de todas as janelas, abertas
a imaginação voa, fechadas eu me obrigo a olhar sempre,
para dentro de mim mesma, aí a viagem é outra.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Naquela rua


A casa sozinha mora naquela rua,
sem outras ruas como vizinhas.
Ela está lá, tão só, na rua deserta.
Só ela, só ela e a imensidão,
a casa sou eu e eu sou a rua.
Tão só!

Um dia...


Haverá um dia...
não precisa ser agora,
nos reencontraremos.

Retomaremos o diálogo interrompido
e ouvirei de voce, as palavras
ditas ontem, em forma de sorriso.

Não tenho pressa,
minha memória o preserva,
como uma velha fotografia, ou
como uma pétala de flor,
que repousa dentro de um livro.

Haverá um dia...

Em que verei um lindo garoto sapeca,
de cílios compridos e sorriso de
esperança,
brincar de ser criança e me chamar
de vovó.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Pai


E o pai desejou, desejou,
não era o desejo da mãe,
depois de cinco meninos,
uma menina  nasceu.

O pai pouco a teve nos braços,
e a menina tão querida, ele a
deixou, dois anos depois.

A menina até hoje,
sente saudades de alguém,
pode ser do pai,
que tanto a amou.

Brincadeira

Cerrei os meus olhos com força, 
certa que apagaria para sempre
a tua imagem...

Puro engano, como uma daquelas nuvens,
que passeiam pelo céu, brincando de
esconde- esconde

Tua imagem brincou de criança  escorregou
para dentro e,
se alojou , não sei aonde.

Agora por ironia, vou carregá-lo para sempre,
brincando dentro de mim.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Colméia


Não sou a mãe, não sou a filha,
nem tampouco a
abelha rainha

Não me desfaço dos meus, 
nem me entrego por inteira.

Na incessante e incompleta construção,
me resgato pouco a pouco
da energia impregnada,

seja no ar ou no cão.

Conduzo meus desejos, refaço meu plano de vôo,
às vezes, voo sozinha, mas não é por opção.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Nós

Vamos desfazer todos
os nós, que
nos envolvem

um a um...

o da intolerância,
o da incompreensão,
o do julgamento

Vivamos sem comparações
impostas pelo meio

Sejamos cada um com sua cor,
brilhando cada qual em sua intensidade.

E no percurso, não sejamos competidores e,
sim protetores um do outro

Amigos e não amores.

Sorriso de neto


Renasço exultante a cada
momento de seu sorriso
 lembrado

Nele me fixo
e viajo acometida de uma imensa ternura
e de boas lembranças,

sorriso largo, maior que sua face e
se fazia valer pela intenção
de um forte abraço não dado,
e
pela voz inventada, voltada
para dentro dos olhos.

Mas o sorriso inteiro, nascia pequeno lá
dentro, crescia, crescia tão puro
e
transbordava aqui fora.


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cores, formas e sabores


Não importa minha cor, minha forma ou sabor,
caibo em qualquer lugar,
combino com os mais variados tipos.

Posso agradar ou desagradar alguém.
mas meus valores sempre serão lembrados,
por quem me escolher.

Adoro esta mistura, uns lights, outros mais incorpados,
mas todos no final, serão partes de um mesmo
prato.


(2)

Seu Jose´

Sábado, feira, passeio,
eu e a Lucia, rindo , fotografando,
conversando.

E seu José, um feirante, interessado 
pergunta: o que estão fotografando?
Minha amiga bem simpática, logo explica:
as frutas, a maneira como vocês as colocam,
muito bonito.

Então seu Jose, com um largo sorriso
responde, é parece um trabalho artístico,
não é?

Sim! respondemos no mesmo instante.

Um artista, um homem trabalhador
com certeza, para nós gratificante, foi o largo sorriso
do feirante.